12 de mai. de 2015

Nunca te vou deixar ir...

"Nunca te vou deixar ir...
Olá. Escrevo-te para te comunicar uma decisão importante que tomei, pensando somente em ti, e sabes que mais?
 Nunca te vou deixar ir, não vou!
Não quero ver-te fugir da nossa história.
 Não quero perder-te das músicas com que choro por ti,
 dos álbuns de fotografias nem da nossa câmara de filmar. 
Não quero perder-te dos meus lençóis nem dos meus cozinhados desastrados dos quais só sabias reclamar. 
Não te quero perder das minhas roupas, e do cheiro delicioso que deixas-te nelas.
 Não te quero deixar desaparecer dos quatro cantos desta casa...
 Não te quero deixar ir deste meu mundo embora!
Fazes com que tudo pareça tão mais claro do que seria se outrora nem te tivesse conhecido. 
És tão meu, sabias? 
e eu não posso deixar-te partir de mim, 
não posso desistir de ti. 
Só quero ficar contigo até à minha eternidade, 
guardar-te para sempre. Será que posso? 
Deixa-me contar-te o quanto é bom respirar e suspirar por ti em todos os minutos da minha vida. 
Deixa-me dizer-te o quanto anseio por voltar a ver-te, 
o quanto vou contando os dias, os meses, os anos, 
até que isso volte a acontecer, 
e o quanto é bom aninhar-me nos teus braços quando dormes comigo. 
Sabias disso?! 
Olho para ti e fico a imaginar o nosso futuro juntos, e, ah! 
Nem sabes como é bom poder sonhar contigo, 
para sempre!
Gosto tanto de não querer que te vás embora de tudo aquilo que já foi nosso.
 Não posso deixar-te caminhar nesta vida ténue sem mim, 
não completamente!
Ainda te vou provar que sou a mulher mais caprichosa e sensível deste mundo, 
vais ver, 
e mesmo por isso, não te quero deixar ir!
Só queria informar-te para que não te percas do nosso caminho,
 porque algum dia terás que voltar até ao ponto onde nos deixas-te estacionar.
Não quero nem pretendo deixar-te fugir da minha alma,
 muito menos pretendo deixar-te apagar do meu coração. 
És tão meu, e mesmo que aos olhos alheios isso seja errado, 
para mim é o mais certo, 
não querer deixar-te ir.
Nunca te vou deixar ir! Recuso-me! 
Recusar-me-ei até que não mais restem gotas de sangue em mim, 
correndo pelas minhas veias,
 ou até que não mais possa sacudir a poeira deste corpo.
Não te vai custar nada! 
Só quero ser tua para sempre, tua no teu coração. Posso? Mesmo que não possa, do meu não te deixo ir! 
E nunca, Nunca mesmo! Que fique claro!"

Andreia P.
Textos Soltos.


Bati na porta errada!

"Bati na porta errada...
Bati na porta errada, e Ai... bolas!
Ai como me custa percebê-lo somente agora,
 já tão tardiamente!
Fui ingénua,
 talvez egoísta demais para perceber que te procurava a ti,
 e não procurava por mais ninguém, 
mas fui estupidamente bater naquela porta errada, 
tinha que ser,
 enquanto ao lado, 
havia uma janela à minha espera, de braços abertos,
 e pude vê-la fechar-se sem nada poder fazer. 
Porque é que eu não olhei mais atentamente para aquela janela?
 Porquê?!
Somente me vou perguntando, tão humanamente arrependida.
Não há remédio para o que ficou remediado, diz-se!
Raios partam esta mania de nunca saber distinguir o certo do errado logo assim, 
à primeira vista!
Porque raio temos que errar tanto até acertarmos nas coisas de uma vez?
 Porque é que desperdiçamos as coisas certas?
Oh que raio de vida a minha! 
Oh que raio de porta que bateu de caras comigo!"

Andreia P.
Textos Soltos.


6 de mai. de 2015

Quando te vejo...

Quando te vejo...
Quando te vejo, a chuva cai, nasce nos meus olhos e morre algures nas tuas mãos, no teu corpo, e na tua boca.
És como uma tempestade na minha alma, e nunca sei quando te quero ver ou não.
Mas, 
quando te vejo... 
O coração bate leve como uma brisa, já não como outrora batia, ardentemente, assim como eu antes quisesse que ele batesse, a todo e qualquer instante dos meus dias, dos nossos plenos dias.
Quando te vejo...
Cai neve sobre nós, um certo frio se expande consoante te aproximas de mim e me piscas os olhos, só para me indicares que és realmente tu, e tento lembrar-me, de quantos dias outrora o sol aquecia os nossos momentos a sós,os nossos beijos, e os nossos abraços, naqueles momentos tão belos e serenos, tão nossos, em que te via, apenas e só, com os meus olhos a brilhar, com o meu corpo a dissipar-se no teu.
Hoje, já nada brilha em mim e já nada carece mais de ti.
Quando vejo as tuas fotografias, apetece-me rasgá-las e perguntar-te convictamente: porque é que já não te sinto nada meu quando te vejo? Porque é que a tua alma tão pura se transformou em mim numa sombra que me rouba os sonhos, e os converte em pesadelos?
Pudesses tu vir aqui, falar com os meus pensamentos, e explicar-lhes que já foste outrora presente mas que viras-te passado, e que hoje, deverias ser só uma memória bonita, não uma memória que ainda caísse como um raio magnificente no meu principio vital.
Acho que o meu sub consciente se esqueceu de te esquecer naturalmente!
Porque quando te vejo... 
Quando posso desejar ver-te, penso como seria se ainda conseguíssemos ver juntos o mar, como seria se ainda ouvíssemos juntos o barulho das gaivotas a trazerem com elas as ondas que batem levemente sob as rochas, salpicando algumas gotinhas de água para os nossos pés, e lembro-me, que nesses momentos, nós ficávamos a sorrir um para o outro, só pela pureza daquele toque nupcial.
Era tão cómodo ter-te ali, sempre à vista, e agora, já não é mais.
Quando te vejo...
Quero que me vejas também, e que olhes para mim com um olhar diferente, um olhar de orgulho, por teres tido uma mulher que carregou com ela a melhor parte daquilo que foste, e daquilo que sempre serás, que sempre arrancou de ti o melhor que podias ter sido, e também conseguiu que a tua loucura fosse sempre vivida em extremos máximos ao ponto de não aguentares mais.
Esperei tanto tempo por ti, e quando te perdi, só me lembrei de perguntar: O que farei quando o vir passar do outro lado da rua?
E agora lembro-me,que, 
quando te vejo...
só penso poder desviar o meu olhar, antes que os nossos se decidam cruzar.
Será melhor assim.
Já não mais te irei ver da mesma maneira, embora ainda o quisesse.
És meu, mas numa memória não correspondida.
Quando te vejo...
Sei, que já não te quero mais para mim, que já não gosto mais de nós, e muito menos de ti.


Andreia P.
Textos Soltos


27 de abr. de 2015

Hoje Recordei-me de ti...

Hoje recordei-me de ti, 
e de como já passou mais de um ano...
De como as coisas eram simples e felizes connosco.
De repente olhei para cada canto da minha casa e reconheci-te neles,
 em momentos só nossos,
 que iremos lembrar para sempre.
E eu lembro-me, 
como se tivessem a acontecer hoje, 
e agora.
Basta-me olhar para o Sofá da sala e ver-te lá sentado vidrado na televisão
 enquanto te chamo porque te quero dizer alguma coisa, 
e tu, tão concentrado, nem me ouves. 
Apanhas-te os defeitos do teu pai, 
e ao mesmo tempo que isso me irritava,
 tinha a sua piada, 
e eu surpreendia-me a cada dia contigo, 
e com a forma como me fazias fugir de mim,
 das minhas fraquezas.
Sabes que sempre tiveste vários defeitos, 
mas esses teus defeitos nunca foram maiores que todo o amor que eu sentia por ti,
 tu sabes-o.
Tenho tantas saudades tuas. 
Tenho tantas saudades de sentir a tua mão entrelaçada na minha e de tão simplesmente adormecer contigo ao meu lado,
 ver-te dormir, 
ver como ficas com um ar ternurento com a cabeça encostada a uma das minhas, 
nossas, 
almofadas.
Lembro-me quando me levavas da sala para o quarto ao colo, 
e me mandavas para cima da cama, 
depois saltavas tu também para cima dela, 
e começavas a rir-te, e eu ria também, 
dois loucos varridos, 
e eu amava quando tu me dizias: "chega mais para aqui amor", 
e beijavas-me, e abraçavas-me com toda a força do mundo, 
como se ele fosse acabar mesmo naquele instante, 
o mundo, 
como nós o conhecíamos, 
juntos.
E acabou.
Mas apesar do nosso mundo, juntos,
 ter acabado, 
no meu coração continuaríamos juntos, 
porque ainda te sinto tanto em mim, 
embora eu não queira,
 porque tu já à tanto tempo me esqueces-te,
 e tu continuas injustamente aqui,
 a correr por todas as veias do meu coração,
a fazer-me chorar de saudades.
Não há uma musica, um lugar, um filme, uma comida, uma bebida, 
que não me façam lembrar de ti,
 e que não me façam ter vontade de recuar no tempo, 
para que não te tivesse perdido da forma que te perdi, 
tão injusto,
 para mim.
Só pergunto como podes-te esquecer-nos assim?
 Quando eu tenho bilhetes teus onde escrevias: "Vou amar-te para sempre" ,
 "Quero que o mundo todo saiba disso".
Como podes-te esquecer-nos assim? 
Esquecer os nossos abraços, os nossos carinhos, os nossos segredos.
Eu amava-te tanto,
 e era capaz de te perdoar ainda mais uma vez,
 ou outra,
 e outra. 
Se seria estúpido e tolo fazê-lo?
 Poderia ser, mas por amor, faz-se tudo, e eu faria, tudo por ti.
 Ainda hoje, mesmo não sabendo nada de ti, 
mesmo nunca mais te tendo visto, 
mesmo sabendo que estás com ela, 
essa ela que te arrancou de mim, 
eu daria a minha vida por ti,
 e não pensaria duas vezes.
Acho que vou sempre amar a ideia de querer dar-te tudo de mim. 
Acho que vou sempre ver-te como um anjo na minha vida,
 embora me tenhas levado contigo,
 embora tenhas roubado e levado contigo a melhor parte de mim.
Acho que a culpa, foi das estrelas.

Andreia P.
Textos Soltos.


23 de mar. de 2015

Vida extenuante ...

"Chego a casa, combalida, após mais um dia de trabalho.
Estou cansada. Doí-me a alma, as pernas e as costas, já não aguento mais, a saúde está a fugir de mim.
Estou tão exausta, farta de rotinas que já não endireitam nada, só entortam.
Cada vez que olho para trás vejo o tanto que pedi, e o tanto que perdi, e só penso no que fiz errado, no que não dei e onde falhei.
Tenho uma filha. Sei que não me posso perder desta realidade e deixá-la para trás sozinha. Forte sempre fui, venho de linhagens determinadas e inteiras, mas sinto-me tão cansada daquilo que sou obrigada a enfrentar todos os dias para lhe poder dar uma vida melhor, apesar de nunca me arrepender disso, porque por ela,seja ela como for, venha ela a ser aquilo que for, faço e farei qualquer coisa, até mesmo deixar de comer, para que ela coma, daria por ela a vida.
Os dias passam cada vez mais devagar para mim, com o passar dos anos, e sem saúde, só piora esta amarga sensação, e em cada novo dia, em que me levanto de manhã da minha cama para continuar neste sacrifício, só penso na minha menina, que não tem culpa de nada do que me inquieta, de nada do que faz o meu coração doer, não tem culpa das minhas falhas, nem de tudo o que vivi.
Luto, volto todos os dias a lutar, muito em parte mais por ela do que por mim, e pelas contas que todos os meses me chegam ao correio, a fervilhar por falta de pagamento, contas que pago com os olhos a lacrimejar, pensando que o faço para manter o lar onde a crio, onde a criei.
No amor, nunca tive sorte nenhuma, estou a envelhecer, e no amor nunca senti um refugio, e assim refugiei-me somente em mim.
 Tudo o que me amou, me abandonou, tudo o que amei, me rejeitou, e me traiu. 
E tantas voltas dei eu para tentar ganhar os jogos que a vida me levou a enfrentar, mas sempre os perdi, e aqui estou, sozinha, com a minha menina, onde no fundo sempre acabei, e sei que será perto dela que fecharei os meus olhos, porque somente ela me amou, e se tive amor, um amor inexplicável, esse amor, foi o amor da minha filha.
A minha menina que olha para a mãe como uma guerreira, como uma força indomável, como uma heroína, uma rainha, mesmo no fundo ela sabendo que o coração quente da mãe bate cada vez com mais fraqueza, e que os anos vão voando sem que nós os aproveitemos melhor, juntas.
A minha menina que vê em mim o reflexo de tudo aquilo que ela quer poder vir a ser, apesar dela sonhar ainda mais e melhor para ela, mesmo que ela saiba como as coisas estão difíceis, ela sonha, e sonha sobretudo em poder deixar-me orgulhosa e satisfeita do que ela um dia se venha a tornar, sonhando que ela seja feliz para que eu não entristeça, sonhando que a vida a ajude para que eu envelheça de uma forma despreocupada e serena....
 Oh Minha menina.
É por ti que os dias sorriem mesmo que o céu decida chorar."

Andreia P.
Textos Soltos
(Continua....)

18 de mar. de 2015

O meu Eu... Obscuro


"Escusas de me tentar entender. Sou de difícil leitura.
Tenho tantos segredos quanto os segredos escondidos do mundo, 
tenho uma alma profunda demais para que possas entrar nela e tornares-te alguém.
Não penses que estás a um passo de mim, 
porque eu estarei a mais que três de ti.
 Nunca vais saber quando os meus sorrisos são sinceros, 
ou quando as minhas lágrimas escorrem por mágoa de ti.
Sou impossível, eu sei, mais difícil do que isso,
 é tentares permanecer em tudo o que eu sou, porque eu jamais deixarei que sejas um intruso no meu coração.

Prepara-te, reconhecer o meu espírito pode ser um caminho sem retorno. 
Verás como ficarás preso a um intimo sem fim,
 onde eu serei tudo para ti, e tu não serás nada para mim.
Sou assim, como uma peça sem encaixe definido, 
entro pela escuridão e fujo pelas frenéticas manhãs, sem que dês conta de mim.
Ficar ao meu lado levar-te-á à loucura, 
quer sejas tentado ou não,
 porque eu sou um anjo negro indomável que consegue dominar. 
Não me procures, se não me quiseres tocar, 
porque se me tocares, 
terás que me aguentar.
Sou como um escorpião, acabo por picar aqueles que me querem bem, 
não sou mais que ninguém, 
mas sei como te usar. "



Andreia P,
Textos Soltos


2 de mar. de 2015

Espero ter tempo...


"Eu espero ter tempo suficiente para calcorrear por aqui.
Espero ter tempo suficiente para honrar as minhas merdas, ter tempo suficiente para passear sozinha com os meus fantasmas, onde é suposto perceber tudo aquilo que eu sou, conhecer-me tão bem quanto pude conhecer cada raio de sol que passou pelo meu semblante, naqueles dias de verão onde tanto ponderei ser feliz, sabendo eu que expectativas elevadas por vezes me levaram somente a buracos um tanto ou quanto profundos, tão profundos quanto o profundo Mar Azul, que eu tão solenemente conheci.
Eu sempre me envolvi em quedas tumultuosas, e ainda assim, nunca desisti, sempre decidi estudar uma hipótese de, com tanto desejo, me poder; enfim; celebrar. 
Nem que fosse por estar apenas viva. Por respirar. Por estar maioritariamente bem de saúde, e feliz! 
Porém, e muito porém, feliz ainda não estou, infeliz até então, isso sei que ficarei!
Mas eu espero ter tempo, para mudar!
Espero ter tão precioso tempo, que me ajude sobretudo a ajudar, que me dê uma posição folgada para me poder sacrificar por quem se sacrificou tanto por mim, para dar a quem me deu, tanto ou mais do que eu pude outrora dar, e tanto ou mais do que me dispus a receber, por tanto, tanto tempo.
E eu espero ter tempo!
Espero poder deixar neste mundo uma marca de um grande amor meu, uma marca de sobrevivência necessária, doar a tão grandioso e imortalizado Deus, um fruto de uma paixão tão suspirada, um novo Rei, para projectar futuros no seu tão admirável reino, um novo ser humano sublime e abençoado, que seja provido de glórias e merecedor de vitórias grandiosas, um príncipe com sonhos, guarnecido de desejos vorazes, pronto para dar a vida por qualquer amor puro e verdadeiro que venha a ser somente seu, assim como eu sempre estive pronta a dar, a me doar, por amor.
Se eu alguma vez desejei algo maior, eu só poderia desejar ter, rogar aos céus por merecer, vindo de um amor que fosse puro e de louvar, um ser tão igual a mim!
Quero ter esse tão pomposo tempo para eu poder usufruir.
Um certo pomposo tempo para doar a quem tantas horas me aturou, a quem pertencia também um "X" de tempo, e a quem; com tanto sacrifício, parte dele me doou.
Quero ter tempo, tempo que a Deus solicito passar devagar , para que eu possa terminar a demanda para que fui aqui projectada, para que eu possa merecer todo o conforto que recebi, e dar-me ao luxo de poder dizer que eu sim, realizei alguma coisa, e pude sentir-me, por fim, realizada, concluída, celebrada!
Quero que o tempo não me falhe tão cedo ou até mesmo já, para que palavras não me sobrem e atitudes não me falhem, e quero deixar para todos aqueles que se cruzaram no meu caminho, para além de muito amor, muita paz, e muita felicidade, muitas e imensas mensagens de identificação pessoal, para que quem me seguiu, tenha sempre algo a recordar, um exemplo de verdade, de sacrifício, de luta, de vitória, de amor, e sobretudo, de tempo, de bom tempo, nunca desperdiçado com o desnecessário.
Quando o tempo me falhar, por fim, saberei que ainda poderei celebrar mais um momento tão bonito em vida e em glória: o Sussurrar do ultimo suspiro do meu relógio vitalício.
Foi uma vida em pleno, não foi?
Até um dia, e agradeço ao tempo, por todo o tempo que me deu."



Andreia P.
Textos Soltos



""Eu espero ter tempo suficiente para calcorrear por aqui.
Espero ter tempo suficiente para honrar as minhas merdas, ter tempo suficiente para passear sozinha com os meus fantasmas, onde é suposto perceber tudo aquilo que eu sou, conhecer-me tão bem quanto pude conhecer cada raio de sol que passou pelo meu semblante, naqueles dias de verão onde tanto ponderei ser feliz, sabendo eu que expectativas elevadas por vezes me levaram somente a buracos um tanto ou quanto profundos, tão profundos quanto o profundo Mar Azul, que eu tão solenemente conheci.
Eu sempre me envolvi em quedas tumultuosas, e ainda assim, nunca desisti, sempre decidi estudar uma hipótese de, com tanto desejo, me poder; enfim; celebrar. 
Nem que fosse por estar apenas viva. Por respirar. Por estar maioritariamente bem de saúde, e feliz! 
Porém, e muito porém, feliz ainda não estou, infeliz até então, isso sei que ficarei!
Mas eu espero ter tempo, para mudar!
Espero ter tão precioso tempo, que me ajude sobretudo a ajudar, que me dê uma posição folgada para me poder sacrificar por quem se sacrificou tanto por mim, para dar a quem me deu, tanto ou mais do que eu pude outrora dar, e tanto ou mais do que me dispus a receber, por tanto, tanto tempo.
E eu espero ter tempo!
Espero poder deixar neste mundo uma marca de um grande amor meu, uma marca de sobrevivência necessária, doar a tão grandioso e imortalizado Deus, um fruto de uma paixão tão suspirada, um novo Rei, para projectar futuros no seu tão admirável reino, um novo ser humano sublime e abençoado, que seja provido de glórias e merecedor de vitórias grandiosas, um príncipe com sonhos, guarnecido de desejos vorazes, pronto para dar a vida por qualquer amor puro e verdadeiro que venha a ser somente seu, assim como eu sempre estive pronta a dar, a me doar, por amor.
Se eu alguma vez desejei algo maior, eu só poderia desejar ter, rogar aos céus por merecer, vindo de um amor que fosse puro e de louvar, um ser tão igual a mim!
Quero ter esse tão pomposo tempo para eu poder usufruir.
Um certo pomposo tempo para doar a quem tantas horas me aturou, a quem pertencia também um "X" de tempo, e a quem; com tanto sacrifício, parte dele me doou.
Quero ter tempo, tempo que a Deus solicito passar devagar , para que eu possa terminar a demanda para que fui aqui projectada, para que eu possa merecer todo o conforto que recebi, e dar-me ao luxo de poder dizer que eu sim, realizei alguma coisa, e pude sentir-me, por fim, realizada, concluída, celebrada!
Quero que o tempo não me falhe tão cedo ou até mesmo já, para que palavras não me sobrem e atitudes não me falhem, e quero deixar para todos aqueles que se cruzaram no meu caminho, para além de muito amor, muita paz, e muita felicidade, muitas e imensas mensagens de identificação pessoal, para que quem me seguiu, tenha sempre algo a recordar, um exemplo de verdade, de sacrifício, de luta, de vitória, de amor, e sobretudo, de tempo, de bom tempo, nunca desperdiçado com o desnecessário.
Quando o tempo me falhar, por fim, saberei que ainda poderei celebrar mais um momento tão bonito em vida e em glória: o Sussurrar do ultimo suspiro do meu relógio vitalício.
Foi uma vida em pleno, não foi?
Até um dia, e agradeço ao tempo, por todo o tempo que me deu."

Andreia P.
Textos Soltos"