6 de mai. de 2015

Quando te vejo...

Quando te vejo...
Quando te vejo, a chuva cai, nasce nos meus olhos e morre algures nas tuas mãos, no teu corpo, e na tua boca.
És como uma tempestade na minha alma, e nunca sei quando te quero ver ou não.
Mas, 
quando te vejo... 
O coração bate leve como uma brisa, já não como outrora batia, ardentemente, assim como eu antes quisesse que ele batesse, a todo e qualquer instante dos meus dias, dos nossos plenos dias.
Quando te vejo...
Cai neve sobre nós, um certo frio se expande consoante te aproximas de mim e me piscas os olhos, só para me indicares que és realmente tu, e tento lembrar-me, de quantos dias outrora o sol aquecia os nossos momentos a sós,os nossos beijos, e os nossos abraços, naqueles momentos tão belos e serenos, tão nossos, em que te via, apenas e só, com os meus olhos a brilhar, com o meu corpo a dissipar-se no teu.
Hoje, já nada brilha em mim e já nada carece mais de ti.
Quando vejo as tuas fotografias, apetece-me rasgá-las e perguntar-te convictamente: porque é que já não te sinto nada meu quando te vejo? Porque é que a tua alma tão pura se transformou em mim numa sombra que me rouba os sonhos, e os converte em pesadelos?
Pudesses tu vir aqui, falar com os meus pensamentos, e explicar-lhes que já foste outrora presente mas que viras-te passado, e que hoje, deverias ser só uma memória bonita, não uma memória que ainda caísse como um raio magnificente no meu principio vital.
Acho que o meu sub consciente se esqueceu de te esquecer naturalmente!
Porque quando te vejo... 
Quando posso desejar ver-te, penso como seria se ainda conseguíssemos ver juntos o mar, como seria se ainda ouvíssemos juntos o barulho das gaivotas a trazerem com elas as ondas que batem levemente sob as rochas, salpicando algumas gotinhas de água para os nossos pés, e lembro-me, que nesses momentos, nós ficávamos a sorrir um para o outro, só pela pureza daquele toque nupcial.
Era tão cómodo ter-te ali, sempre à vista, e agora, já não é mais.
Quando te vejo...
Quero que me vejas também, e que olhes para mim com um olhar diferente, um olhar de orgulho, por teres tido uma mulher que carregou com ela a melhor parte daquilo que foste, e daquilo que sempre serás, que sempre arrancou de ti o melhor que podias ter sido, e também conseguiu que a tua loucura fosse sempre vivida em extremos máximos ao ponto de não aguentares mais.
Esperei tanto tempo por ti, e quando te perdi, só me lembrei de perguntar: O que farei quando o vir passar do outro lado da rua?
E agora lembro-me,que, 
quando te vejo...
só penso poder desviar o meu olhar, antes que os nossos se decidam cruzar.
Será melhor assim.
Já não mais te irei ver da mesma maneira, embora ainda o quisesse.
És meu, mas numa memória não correspondida.
Quando te vejo...
Sei, que já não te quero mais para mim, que já não gosto mais de nós, e muito menos de ti.


Andreia P.
Textos Soltos