22 de fev. de 2015

Eles eram amigos...


"Eles eram amigos.
Embora um pouco mais que meros conhecidos á procura de novas aventuras, 
mas, eles eram amigos. 
Conversavam todos os dias por mensagens, 
posteriormente falavam-se por telefone,
 até que combinaram encontrar-se.
Até aqui tudo bem, 
eles eram amigos. 
Jantaram fora, passearam, 
beberam café, 
fumaram uns cigarros, e a noite acabou tranquilamente, 
sem que notassem que no meio daquela história toda, 
estava a virar nó, 
o que nunca chegara a ser laço. 

Mas eles entendiam-se.
 Eram amigos. 
Mais umas vezes foram falando, 
trocando fotografias e vídeos de lugares que visitavam,
 até mesmo dos locais de trabalho, 
por forma a surgir sempre algum assunto entre eles, 
afinal, 
 eles eram amigos. 
Mas um dia o laço que os segurava completamente um ao outro, 
vergou, partiu. 
E tudo aconteceu porque eles resolveram misturar tudo, afinal,
 eles eram amigos,
 mas procuravam muito mais.
Num ultimo encontro resolveram ver o mar,
 pararam numa praia deserta.
De um envolvente mistério, 
surgiu um beijo na testa,
 a noite estava gelada,
 graus negativos, surgiu o aconchego dos seus abraços quentes e reconfortantes,
 a respiração tensa dela ecoava nos ouvidos dele,
 e o seu organismo pedia por mais.
Sem mais nem menos surge um beijo na boca,
 trocaram fluídos, 
línguas envolvidas, 
mãos no pescoço e respirações ofegantes á mistura. 
Eles cederam á tentação, 
e deixaram-se consumir pelo desejo e pelo prazer.
Foram além da conta e terminaram nús no carro dele, 
 envoltos num desastre que por si só, ali no meio do nada, onde só as estrelas os viam,
 e a lua os espiava, 
fez com que toda a amizade seguisse a voar com o vento.. 
E assim foi.
As ondas levaram o sentimento que unia estas duas pobres almas,
 amigas,
 dizia-se. 
No final dos seus actos irreflectidos,
 ele levou-a a casa.
Já mal olhavam um para o outro, 
um estranho silêncio infeliz pairou naquele carro, 
em cerca de 50km de caminho.
Eles despediram-se, dois beijos na cara e um mero "xau".
Simplesmente perdidos um do outro, 
nunca mais se falaram até então.
E ficaram arrependidos.
Conheciam-se muito pouco e o resultado foi o normal nestas situações: um erro.
Um enorme erro. 
Ele ainda pensa nela, 
mas não a consegue ver, 
muito menos consegue ter coragem para falar com ela, já namora, e nunca falou à namorada desta sua velha amiga. 
Ela prometeu a si mesma nunca mais confundir as coisas, 
deixar-se perder de um caminho razoável para seguir uma aventura idiota. 
Assim terminou uma amizade em ascensão, 
onde se confundiu o coração com uma mera ilusão."



Andreia P. 
Textos Soltos