4 de jan. de 2015

Vozes de burro...

Há quem não compreenda os meus motivos,
 mas eu tenho as minhas razões, 
a vida é um desperdício para quem não viva de emoções.
Sei que peixes no mar à muitos,
 mas por um já me afoguei, 
e se eu chorasse hoje por outro, 
estaria a fugir à lei.
Sou sereia de água doce, 
mas no sal eu mergulhei,
 partiram-me o coração,
 e mesmo assim por cá fiquei.
Vou vivendo a minha vida,
 isolada das maldições,
 prefiro ficar em casa,
 do que à mercê de ilusões.
Sou humilde e dedicada,
 a tudo o que me comove,
 afasto-me dos que são fingidos,
 gente inútil não me demove.
O meu ego ficou vazio, 
sem poderes para novos créditos,
 prefiro tristeza a alegrias,
 não curto brincar aos legos.
Não sou de duas facetas,
 cara de feijão fradinho, 
com uma cara me comprometo, 
não bato papo engomadinho.
Se eu sou rude e enjoada,
 o problema já é meu,
 e se há gente que não gosta,
 "vozes de burro não chegam ao céu".

Andreia P.
Textos Soltos