27 de abr. de 2014

Menina...Mulher!


"Mais uma manhã silenciosa. 

O coração dela bate baixinho, devagar, serenamente. 
Na sua mente ecoa uma voz calma que a questiona sobre centenas de porquês, aos quais ela não pode responder, simplesmente porque não há tantos porquês com respostas exactas. 
Ela está sozinha, sente-se cansada, vazia, incompleta. 
As pessoas não a preenchem mais.
Já nem lhe bastam as esperanças pequeninas da vinda de dias melhores, porque, maior parte dos novos dias que chegam, são dias em que ela se sente incapaz de sorrir.
Ela vive consciente dos erros que tem cometido, das gentes a quem ela falhou, não por falta de humildade, mas sim por falta de coragem e de motivação.
Ninguém pode ajudá-la, ninguém conhece a amplitude da guerra interna que ela a cada dia tenta vencer, sem qualquer margem de sucesso, e isso, ultrapassa-a. 
Ela não passa de uma menina cheia de sonhos, sonhos que lhe foram arrancados.
Ela é uma menina que volta e meia dá por si a tentar ser feliz, criando apenas ilusões, porque a felicidade é uma miragem, e ela ainda tenta alcançá-la, pobre princesa.
De tanto passar a vida a sonhar, foi-se esquecendo de viver. 
O que será dela, tão menina ainda, assim que ela crescer?
Muitos tem medo de a seguir, já tantas foram as gentes que a abandonaram, já tantas foram as saudades que ela sentiu sem demonstrar, tantas manhãs em que ela já teve que chorar, assim como hoje chora.
Pobre menina dos sonhos traídos. 
O que será de ti, quando o mundo te der asas para voar?"

Andreia P.