"Amor, hoje chegas-te a casa mais tarde,
estás tão calado,
tão apagado.
Eu sinto algo diferente em ti,
sinto uma derrota,
um cansaço,
uma ou duas preocupações.
Estás tenso, mal encarado, esgotado.
A tua pele já não tem o mesmo calor,
o teu beijo já não tem o mesmo sabor,
o teu toque já não tem a mesma delicadeza,
o teu abraço está mais fraco que nunca.
Sinto-te distante, longe, introvertido, contido.
Antes nunca foras assim.
O que te Preocupa?
Podes contar-me.
Prometo ser paciente, compreensiva, afável, e calma contigo.
Mas conta-me o que apoquenta e atormenta o teu coração.
Eu estou aqui, eu estive sempre aqui,
para te amar, para apoiar todas as tuas quedas, todos os teus fracassos,
e para amparar-te no sofrimento, na dor, na angústia, nos maus momentos.
Conta-me, amor, o que te deixa tão infeliz,
e eu ficarei aqui, a escutar-te, toda a noite.
Mas fala baixinho, não deixes que mais ninguém te oiça, nem os passarinhos.
Este momento é só nosso.
Desabafa baixinho, eu estou aqui para ficar, e vou ficar só mais esta noite, para te embalar,
vou ficar assim, tão ligada a ti, aqui, no sofá.
Ficarei toda á noite á espera de te ouvir dizer, á espera que me contes,
aquilo que eu já sei, amor.
Só não quero que mais ninguém te oiça a dizê-lo, seria tão cruel que o resto do mundo tambem soubesse,
que matas-te o amor que tinhas por mim,
e que eu já não pertenço ao teu futuro.
Eu há algum tempo que o sei, porém, aqui fui ficando,
e fico só mais esta noite, para te apaziguar e acalmar, para amanhã desfazer a tua inquietação.
Boa Noite meu Amor.
Não te esqueças de mim,
"Textos soltos"
Andreia P.
